A busca da verdade
A busca da verdade
Suponhamos um homem que vai á floresta buscar alguma medula, que cresce no centro das árvores, e volta com um fardo de galhos e folhas pensando que conseguira aquilo que fora buscar.
Não seria ele tolo, se está satisfeito com a casca, endoderma ou madeira, em vez da medula que fora procurar? mas é o que muitos homens estão fazendo.
Uma pessoa procura um caminho que afasta do nascimento, da velhice, da doença e da morte, ou da lamentação, da tristeza, do sofrimento, e da dor, entretanto, se, seguindo um pouco esse caminho, nota algum progresso, torna-se orgulhosa, vaidosa e arrogante. É como o homem que procurava medula e saiu satisfeito com uma braçada de galhos e folhas.
Outro homem que se satisfaz com o progresso alcançado com pouco esforço, negligencia seu empenho e se torna vaidoso e orgulhoso; esta carregando apenas fardo de galhos em vez da medula que estava procurando.
Outro ainda, achando que sua mente se tornou mais, tranquila e que seus pensamentos se tornam mais claros, também relaxa o seu esforço e se torna orgulhoso e vaidoso; tem um fardo de cascas em vez da medula que procurava.
Outro homem se torna orgulhoso e vaidoso porque notou que obteve um pouco de compreensão intuitiva; ele tem uma carga de fibra lenhosa e vez de medula. Todos estes homens que se satisfazem com seu insuficiente esforço e se tornam orgulhosos e altivos, negligenciam o seu empenho e facilmente caem na indolência. Todos eles inevitavelmente, terão que arrostar novamente o sofrimento.
Aqueles que buscam o verdadeiro caminho da iluminação não devem esperar tarefa cômoda e fácil ou um prazer proporcionado pelo respeito, honra e devoção. E mais, irão devem almejar, com um puco de esforço, ao supérfluo progresso em tranquilidade, conhecimento ou introspecção.
Antes de tudo, deve-se ter, de modo claro na mente, a básica e essencial natureza deste mundo de vida e morte.
Fonte: Livro A Doutrina de Buda Siddharta Gautama, paginas 105 e 106.
